Nem tudo que importa na saúde do atleta pode ser medido por sensores. A Escala de Percepção de Esforço (RPE, do inglês Rate of Perceived Exertion), desenvolvida originalmente pelo fisiologista sueco Gunnar Borg na década de 1960, continua sendo uma das ferramentas mais valiosas e subestimadas do monitoramento esportivo.
Na versão mais utilizada atualmente, a Escala de Borg CR-10, o atleta avalia sua percepção de esforço em uma escala de 0 a 10 imediatamente após a sessão de treino. Quando multiplicado pela duração da sessão em minutos, esse número gera o índice de "Carga Interna de Treinamento" (CTL ou Session-RPE), que permite comparar a intensidade percebida entre diferentes tipos de atividade — seja uma corrida contínua, um treino técnico ou uma partida oficial.
A grande vantagem do RPE é capturar variáveis que os sensores não registram: qualidade do sono, estresse emocional, hidratação, fase do ciclo menstrual em atletas femininas, entre outros fatores que afetam diretamente a percepção de cansaço. Um GPS pode dizer que o atleta percorreu 10 km com frequência cardíaca média de 155 bpm — mas só o RPE revela se aquela carga foi fácil, moderada ou exaustiva para aquele indivíduo naquele dia.
Pesquisas com equipes profissionais de futebol europeu mostram que a correlação entre RPE coletivo elevado e aumento de lesões nos dias seguintes é estatisticamente significativa. Treinadores que coletam RPE sistematicamente e cruzam esses dados com cargas objetivas têm ferramentas muito mais ricas para ajustar a programação semanal.
No MedPulse, a coleta de RPE pode ser integrada ao histórico de cada atleta, permitindo visualizar como a percepção de esforço varia ao longo da temporada e identificar atletas que consistentemente subestimam ou superestimam sua fadiga — um dado clínico valioso por si só.